Análise do Custo-Efetividade do Rastreamento do Câncer de Mama com Mamografia Convencional, Digital e Ressonância

Análise do Custo-Efetividade do Rastreamento do Câncer de Mama com Mamografia Convencional, Digital e RessonânciaAutores: Antonio Augusto de Freitas Peregrino; Cid Manso de Mello Vianna; Carlos Eduardo Veloso de Almeida; Gabriela Bittencourt González; Samara Cristina Ferreira Machado; Frances Valéria Costa e Silva; Marcus Paulo da Silva Rodrigues.

O objetivo deste trabalho foi realizar análise de custo efetividade da intervenção das mamografias convencional e digital e da ressonância magnética no rastreamento de câncer de mama, comparando com o não rastreamento. Foi construído um modelo markoviano, numa uma coorte hipotética de 100 mil mulheres com rastreamento bianual, cuja linha de base é a história natural da doença. Modelaram-se quatro cenários distintos: (1) a história natural do câncer de mama como linha de base; (2) mamografia com filme convencional; (3) mamografia digital e (4) e ressonância magnética. Os custos dos cenários modelados variaram desde R$ 194.216,68 para a história natural, até R$ 48.614.338,31 para o rastreamento com ressonância magnética. As diferenças de efetividade entre as intervenções variaram de 300 até 78.000 anos de vida ganhos, na coorte de 100 mil mulheres. Em relação à Razão de Custo-Efetividade Incremental, em termos de custo por ano de vida ganhos, a estratégia do rastreamento mamográfico convencional produziu um ano extra por R$ 13.573,07. A Razão de Custo Efetividade Incremental (ICER) da ressonância magnética foi de R$ 2.904.328,88 em relação ao não rastreamento. O estudo mostrou que é mais custo-efetivo realizar o rastreamento com a mamografia convencional do que as outras tecnologias de intervenção.

Para visualizar e baixar o artigo completo acesse:

PEREGRINO, Antonio Augusto de Freitas; et. al. Análise do Custo-Efetividade do Rastreamento do Câncer de Mama com Mamografia Convencional, Digital e Ressonância. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 215-222, jan. 2012.

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Detecção de Agrupamentos de Microcalcificações em Imagens Mamográficas Digitais Utilizando Etapas de Segmentação da Mama e Realce

Detecção de Agrupamentos de Microcalcificações em Imagens Mamográficas Digitais Utilizando Etapas de Segmentação da Mama e Realce

Autores: Vinicius Ruela Pereira Borges, Denise Guliato.

Este projeto propõe o desenvolvimento de um método para a detecção de agrupamentos de microcalcificações em imagens mamográficas digitais. Este método é dividido em três etapas: segmentação da mama, realce de microcalcificações e detecção de agrupamentos de microcalcificações. A primeira etapa é composta por um procedimento que delimita a região da mama e outro que extrai o músculo peitoral, gerando uma nova imagem contendo apenas o tecido fibroglandular. A segunda etapa tem como objetivo realçar estas microcalcificações, já que estas não estão nítidas na imagem mamográfica. A última etapa segmenta as microcalcificações da imagem realçada e analisa se há ocorrência de agrupamentos, o que pode indicar ou não, um sinal precoce de câncer de mama. O método proposto foi avaliado na base de dados Digital Database for Screening Mammography (DDSM) e mostrou que os resultados obtidos são bastante promissores, o que pode contribuir positivamente com o aumento da sensibilidade nos exames de radiologia.

Para visualizar e baixar o artigo completo acesse:

BORGES, Vinicius Ruela Pereira; GULIATO, Denise. Detecção de Agrupamentos de Microcalcificações em Imagens Mamográficas Digitais Utilizando Etapas de Segmentação da Mama e Realce. Horizonte Científico, Uberlândia, v. 4, n. 2, p. 1-29, jan. 2010.
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Análise Automática de Imagens de Mamografia: Distinção entre Incidências

Análise Automática de Imagens de Mamografia - Distinção entre Incidências

Autora: Rita Filipa dos Santos Teixeira.

O cancro de mama é o mais comum nas mulheres e é a segunda principal causa de morte de cancro entre as mesmas. Até ao presente, não existem formas de prevenir o cancro da mama, pois a sua causa não é ainda totalmente conhecida. A detecção precoce é uma forma eficaz de diagnosticar e tratar o cancro da mama dando uma maior possibilidade de total recuperação. A mamografia tem mostrado ser a ferramenta mais eficaz na detecção do cancro da mama numa fase precoce e mais facilmente tratável, continuando assim a ser a principal modalidade da imagiologia mais usada para diagnosticar o cancro da mama. A introdução da mamografia digital é considerada o melhoramento mais importante na imagiologia mamária. A detecção/ diagnóstico assistida por computador (CAD) tem sido vista como sendo uma ferramenta de ajuda na detecção precoce pela marcação de regiões suspeitas num mamograma permitindo, assim, reduzir as taxas de morte nas mulheres com esta doença.
Desta forma, com o presente trabalho pretendeu-se dar uma contribuição para a automatização na fase de identificação mamária. A utilização de características das imagens mamográficas é útil para a criação de um algoritmo que seja capaz de fazer a distinção entre as diferentes incidências desse mesmo exame: mama esquerda e direita e projeções Crânio-Caudal e Médio-Lateral Oblíqua.

Para visualizar e baixar a dissertação completa acesse:

TEIXEIRA, Rita Filipa dos Santos. Análise Automática de Imagens de Mamografia: Distinção entre Incidências. Porto, 2012. Dissertação (Mestrado em Engenharia Biomédica) Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, Porto, 2012.

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Qualidade da Imagem, Limiar de Contraste e Dose Glandular Média em Mamografia Digital CR

Qualidade da Imagem, Limiar de Contraste e Dose Glandular Média em Mamografia Digital CR

Autora: Rosangela Requi Jakubiak.

Em muitos países, os sistemas de radiologia computadorizada (CR) representam a maioria dos equipamentos usados em mamografia digital. Este estudo apresenta um método para a otimização da qualidade da imagem e da dose em mamografia digital CR para pacientes com mamas de espessuras entre 45 e 75. As espessuras das mamas foram simuladas com placas de polimetilmetacrilato (PMMA). Técnicas de exposição otimizadas (tensão (kV), produto corrente-tempo (mAs) e combinação alvo/filtro foram definidas como aquelas que fornecem uma razão contraste-ruído (CNR) ideal, denominada CNR alvo, que permite atingir o limiar de contraste das imagens do detalhe de diâmetro de 0,10 mm no simulador CDMAM (versão 3.4 Artinis Medical Systems, Netherlands) com um padrão de Dose Glandular Média (DGM) aceitável. Os resultados foram utilizados para os ajustes do Controle Automático de Exposição (CAE) pela equipe de manutenção. Um estudo retrospectivo de dois grupos de pacientes (Grupo 1 – antes do ajuste do CAE e Grupo 2 – após o ajuste do CAE) foi realizado. Os parâmetros de exposição foram reproduzidos nos simuladores para a determinação da CNR, da DGM e do limiar de contraste. As imagens clínicas destes pacientes foram analisadas por três radiologistas especialistas em mamografia que responderam questões sobre as estruturas anatômicas, ruído e contraste em áreas de valores de pixels altos ou baixos, sobre nitidez e contraste da imagem. Os resultados mostram que o método proposto foi efetivo para todas as espessuras de mama avaliadas. O ajuste do CAE proporcionou a concentração de valores da CNR no Grupo 2 mais próximas ao CNR alvo e que, mesmo como aumento do nível de ruído nas imagens clínicas, as análises do CDMAM mostraram que não houve prejuízo na identificação do objeto de 0,10 mm de diâmetro. Finalmente, este estudo conclui que o uso dos CAE das unidades de raios X baseados em fornecer uma dose constante ao detector pode ocasionar algumas dificuldades para alguns sistemas CR operarem nas condições ótimas.

Para visualizar e baixar a tese completa acesse:

JAKUBIAK, Rosangela Requi. Qualidade da Imagem, Limiar de Contraste e Dose Glandular Média em Mamografia Digital CR. Curitiba, 2013. Tese (Pós Graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2013.

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Avaliação de Desempenhos de Esquema Diagnóstico Auxiliado por Computador (CAD) para Diferentes Grupos de Imagens Mamográficas

Avaliação de Desempenhos de Esquema Diagnóstico Auxiliado por Computador (CAD) para Diferentes Grupos de Imagens MamográficasAutores: Ana C. Patrocínio; Michele F. Angelo; Simone Elias; Leandro P. Freitas; Homero Schiabel; Regina B. Medeiros.

Este trabalho descreveu os testes de um esquema de diagnóstico auxiliado por computador (CAD) com dois diferentes grupos de imagens mamográficas e comparou com o desempenho das respostas dos especialistas. Foram utilizadas imagens com comprovações patológicas com  regiões de interesse (RIs) com nódulos benignos e malignos. O grupo 1 de imagens foi composto por 102 RIs apenas com nódulos malignos, e o grupo 2 por 50 RIs, contendo nódulos benignos e malignos. As imagens do grupo 1 passaram por dupla leitura de especialistas e suas respostas foram comparadas com as do CAD. O CAD apresentou área sob a curva ROC (AZ) de 0,94 e 0,84 para os grupos 1 e 2 respectivamente. Enquanto os especialistas apresentaram AZ de 0,85 para o grupo1.

Para visualizar e baixar o artigo completo acesse:

PATROCÍNIO, Ana C. et. al. Avaliação de Desempenhos de Esquema Diagnóstico Auxiliado por Computador (CAD) para Diferentes Grupos de Imagens Mamográficas. Revista Brasileira de Física Médica, Natal, v. 4, n. 2, p, 67-70, 2010.

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Uso da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) no Diagnóstico, Estadiamento e Re-estadiamento dos Cânceres de Mama

Uso da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) no diagnóstico, estadiamento e re-estadiamento dos cânceres de mamaAutoria: Ministério da Saúde.

Este parecer tem por foco o uso da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) no diagnóstico, estadiamento e re-estadiamento do câncer de mama.
Estas neoplasias são as mais incidentes no país entre as mulheres, após o câncer de pele do tipo não melanoma, sendo esperados perto de 50.000 novos casos em 2009. Em termos de mortalidade, no período 2002-2006, estes cânceres responderam por cerca de 15,6% de todas as mortes por neoplasia, não tendo havido redução significativa nesta proporção em relação a 1994-1998, em grande parte devido ao diagnóstico tardio.
O diagnóstico precoce e um melhor seguimento das mulheres com essas neoplasias são importantes para um manuseio clínico terapêutico mais eficiente, com possibilidade de impactar na sobrevida e na qualidade de vida das pacientes bem como nos custos do sistema de saúde.
A PET é uma tecnologia da área de medicina nuclear, complexa e de alto custo, cujo uso vem sendo proposto de forma complementar às técnicas de imagem anatômica como a ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (MRI). No câncer de mama, seu uso vem sendo indicado na caracterização do tumor primário, estadiamento ganglionar e seguimento após cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia externa. Não há consenso, contudo sobre seu papel e potenciais benefícios no manuseio clínico-terapêutico deste tipo de cânceres.
Sua difusão é recente e ainda limitada no país, não constando das tabelas de reembolso do Sistema Único de Saúde (SUS) ou do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Uma potencial limitação para sua maior difusão em nosso meio foi removida com a queda do monopólio da União na produção de radiofármacos, a partir de 2006. Pode ser esperado que isso desencadeie um movimento, já em curso, de multiplicação de instalações de ciclotrons e de compras de tomógrafos PET, principalmente pelo setor privado de saúde, produzindo aumento nas demandas e pressões pela sua incorporação às tabelas, exigindo informações atualizadas e baseadas em evidências para apoiar os processos decisórios.
O trabalho buscou avaliar as evidências disponíveis quanto à acurácia e ao valor clínico da PET nesta neoplasia em relação às seguintes indicações clínicas: (1) diagnóstico do câncer primário de mama; (2) estadiamento ganglionar axilar; (3) avaliação de resposta ao tratamento; e (4) detecção de doença recorrente e metastática à distância. Foram também investigadas sua influência nas decisões de manuseio clínico-terapêutico e seu impacto nos desfechos em saúde.
A metodologia utilizada foi a das revisões rápidas de avaliação tecnológica em saúde (ATS), congregando três estratégias complementares: (1) pesquisa de avaliações produzidas por agências de ATS, a partir da base de dados da INAHTA; (2) levantamento de protocolos de prática relativos ao uso da PET no câncer de mama, a partir das fontes: National Guideline Clearinghouse; National Library of Guidelines e projeto Diretrizes da AMB/CFM; e (3) pesquisa bibliográfica de revisões sistemáticas (RS) e meta-análises nas bases MEDLINE, COCHRANE, LILACS e SCIELO.
Foram identificadas 27 revisões produzidas por 13 diferentes agências de ATS (55% publicadas nos últimos 5 anos, 70% apoiadas em RS da literatura); 29 protocolos de prática relacionados a PET e câncer de mama (69% publicados a partir de 2005); e 5 revisões sistemáticas, 80% das quais eram também meta-análises (80 % publicadas a partir de 2005).
Problemas metodológicos diversos definem um nível de evidências ainda bastante imperfeito.
O exame dos diversos documentos indica que o corpo de evidências acerca da acurácia e utilidade da PET no câncer de mama é significativamente frágil e inconclusivo. As evidências de performance diagnóstica são insuficientes para indicar seu uso no rastreamento de massa, no diagnóstico de tumor primário e diferenciação entre lesões benignas e malignas, e no estadiamento ganglionar exilar. Os resultados das evidências são um pouco melhores, mas ainda assim frágeis, no que se refere à performance diagnóstica da PET na detecção de recorrência ou de metástases à distância, e na avaliação da resposta ao tratamento.
Esse parecer sugere que não se proceda à incorporação do reembolso dos procedimentos PET para as diversas indicações no câncer de mama, aguardando-se o acúmulo de maiores evidências de acurácia e custo-benefício.
Por outro lado, esses aspectos apontam para a necessidade do desenvolvimento de pesquisas, tanto de efetividade quanto de custo-efetividade, que possam subsidiar decisões futuras quanto à incorporação da tecnologia no SUS.

Para visualizar e baixar o parecer técnico-científico completo acesse:

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Uso da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) no diagnóstico, estadiamento e re-estadiamento dos cânceres de mama. Brasília,  Ministério da Saúde, 2009. (Observação: este link fará o download automático do arquivo)

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Desenvolvimento de Metodologia para Avaliação Automatizada da Qualidade de Imagens Digitalizadas em Mamografia

Desenvolvimento de Metodologia para Avaliação Automatizada da Qualidade de Imagens Digitalizadas em MamografiaAutora: Priscila do Carmo Santana.

O processo de avaliação da qualidade de imagens radiográficas em geral, e de mamografia em especial, pode ser muito mais preciso, prático e rápido com o auxílio de ferramentas de análise computacional.
A proposta deste trabalho é o desenvolvimento de uma tecnologia computacional para automatizar o processo de avaliação da qualidade das imagens mamográficas por meio de técnicas de processamento digital de imagens (PDI), utilizando um ambiente de processamento de imagens já existente (ImageJ).
Com a aplicação de técnicas PDI foi possível determinar características geométricas e radiométricas das imagens avaliadas. Os parâmetros avaliados incluem resolução espacial, detalhes de alto contraste, limiar de baixo contraste, detalhes lineares de baixo contraste , massas tumorais, índice de contraste e densidade óptica de fundo.
Os resultados obtidos por esta metodologia foram comparados com os resultados apresentados nas avaliações visuais realizadas pela Vigilância Sanitária de Minas Gerais. Por meio desta comparação foi possível demonstrar que esta metodologia automatizada apresenta-se como uma promissora alternativa para redução ou supressão da subjetividade existente na metodologia de avaliação visual atualmente em uso.

Para visualizar e baixar a dissertação completa acesse:

SANTANA, Priscila do Carmo. Desenvolvimento de Metodologia para Avaliação Automatizada da Qualidade de Imagens Digitalizadas em Mamografia. Belo Horizonte, 2010. Dissertação (Mestrado) – Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais. Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, Belo Horizonte, 2010.

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Mamografia digital em comparação com mamografia convencional no rastreamento de câncer de mama no Brasil: revisão sistemática, custo da doença e analise de custo-efetividade no Sistema Único de Saúde

Mamografia digital em comparação com mamografia convencional no rastreamento de câncer de mama no Brasil - revisão sistemática, custo da doença e analise de custo-efetividade no Sistema Único de SaúdeAutor: Fabiano Hahn Souza.

O câncer de mama é o câncer mais comum da população feminina no Brasil com mais de 50 casos incidentes por 100.000 mulheres/ano. Atualmente, os métodos mais efetivos para prevenção da morbimortalidade do câncer de mama são o rastreamento mamográfico (RM) e os tratamentos sistêmicos adjuvantes [1]. Todavia, essas estratégias geram um aumento substancial de custos para as pacientes, famílias e sistema de saúde [2]. Nos últimos 30 anos, a mamografia convencional com filme é o método de escolha para o RM da neoplasia mamária [3]. A redução da mortalidade por câncer de mama de cerca de 25% com a mamografia levou muitos países a implementar programas de RM organizados de base populacional [4]. A redução da mortalidade câncer de mama específica por volta de 15% nas mulheres jovens (< 50 anos) [5] fez com que alguns países adotassem o RM também nesse subgrupo [6]. A mamografia digital tem maior acurácia na população jovem [7, 8]. Todavia existe ainda grande controvérsia se o RM é efetivo nessa população de mulheres (40-49 anos) e isso acabou freando a adoção de programas populacionais de RM nesse subgrupo na maioria dos países. Esta tese é uma ampla Avaliação de Tecnologia em Saúde (ATS) do câncer de mama no sistema público de saúde brasileiro que apresentará quatro artigos: uma meta-análise comparando a acurácia da mamografia com filme versus a digital; um estudo de custo e anos de vida ajustados por qualidade do câncer de mama no SUS; duas análises de custo-efetividade do RM do câncer de mama no SUS – a primeira em mulheres com idade igual ou acima de 50 anos e a segunda em mulheres iniciando o RM entre 40-49 anos. O primeiro estudo teve como objetivo comparar a acurácia da mamografia com filme com a mamografia digital no RM populacional do câncer de mama. Foi conduzida uma revisão sistemática quantitativa incluindo estudos randomizados e estudos de coorte. Dez estudos (total de 653.896 pacientes, dessas 92.000 realizaram ambos exames) foram selecionados. O sumário da curva ROC foi de 0,92 (SE±0,06) para mamografia com filme e 0,91 (SE±0,11) para mamografia digital. O resultado no modelo randômico do odds ratio relativo (ORR) foi de 0,95 (IC 95%, 0,72 to 1,24) e 0,52 (IC 95%, 0,28 to 0,95) para mamografia filme versus digital em todas idades e no subgrupo de mulheres com menos de 50 anos respectivamente. Com estes dados, não foi possível excluir ou confirmar o beneficio da mamografia digital em todas as idades, todavia esse achado deve ser considerado com cuidado. O resultado que a mamografia digital é mais acurada em todas nas mulheres jovens é robusto e vai de acordo com os estudos individuais. O segundo estudo teve como objetivo estimar os custos e os anos de vida ajustados por qualidade (AVAQ) das pacientes com câncer de mama no SUS. Em uma coorte retrospectiva de pacientes com câncer de mama foram estimados os custos, a utilização de recursos de saúde e os AVAQ. Paciente com pelo menos 6 meses do diagnóstico do câncer de mama foram entrevistadas consecutivamente nos ambulatórios de oncologia clínica do HCPA e do ICESP. Cento e cinquenta e sete pacientes foram incluídas. As médias do tempo de diagnóstico da doença e da idade foram de 42,8 meses e 57,8 anos respectivamente. A distribuição do estadiamento da neoplasia foi: estádio I – 13,9%; estágio II 39,7%; estágio III e IV 43%. Na data da entrevista, 45% das pacientes estavam com doença metastática. Os custos do primeiro ano do diagnóstico foram R$ 5.916, R$ 10.181, R$ 14.053 e R$ 8.135 para o estádio I, II, III e IV respectivamente. No contexto não metastático, os custos foram maiores no estádio II versus I e no estádio III versus II (p<0,0001). O AVAQ para doença inicial (estádio I e II) foi 0,7715, 0,7623 e 0,7392 no seguimento, tratamento adjuvante endócrino e quimioterápico respectivamente. Para o estádio III, o AVAQ variou de 0,7037 a 0,7715 e para o estádio IV foi de 0,68. O câncer de mama é uma doença de alto custo para as pacientes e a sociedade. Políticas públicas efetivas para minimizar a carga da doença devem ser prioridade para o SUS. O terceiro estudo teve o objetivo de explorar a custo-efetividade do RM de base populacional no Brasil utilizando diferentes estratégias para mulheres com idade igual ou maior de 50 anos no SUS. Um Modelo de Markov, que simula a história natural do câncer de mama no Brasil, foi desenvolvido. O modelo comparou o efeito ao longo da vida dos custos e do custo-efetividade de diferentes estratégias de RM populacional em mulheres com idade igual ou maior de 50 anos. A estratégia B (MF a cada 2 anos) foi um pouco mais cara mas também mais efetiva em termos de AVAQ. A RCEI foi de R$ 829,53, sendo considerada a estratégia B uma opção muito custo-efetiva para o sistema público brasileiro. Avaliando-se também uma estratégia com MF, mas agora anualmente, a RCEI de R$ 11.934 por AVAQ também é considerada muito custo-efetiva. Enquanto que a adoção do RM anual com MD foi estratégia mais efetiva, também foi a de maior custo. Uma RCEI de R$ 89.201 não é uma estratégia custo-efetiva para países de renda mediana como o Brasil. MF a cada 2 anos para todas mulheres com idade entre 50 e 69 anos é uma estratégia muito custo-efetiva e deveria ser incorporada no sistema público de saúde brasileiro. Estratégias utilizando MD não é custo-efetiva nessa população de mulheres. O quarto estudo explorou a custo-efetividade do RM de base populacional no Brasil utilizando diferentes estratégias para mulheres com menos de 50 anos no SUS. Um Modelo de Markov, que simula a história natural do câncer de mama no Brasil, foi desenvolvido. O modelo compara o efeito ao longo da vida dos custos e do custo-efetividade de diferentes estratégias de RM populacional em mulheres com menos de 50 anos. A idade inicial para entrada no modelo é de 40 a 49 anos. A estratégia C (MF a cada 2 anos) foi um pouco mais cara, mas também mais efetiva em termos de AVAQ. A RCEI foi de R$ 1.509, sendo considerada a estratégia C uma opção muito custo-efetiva para o sistema público brasileiro. A MF anual (estratégia B) também foi muito custo-efetiva para o SUS com uma RCEI de R$ 13.131 por AVAQ. A estratégia E (MD anual) foi dominada pela estratégia F. A estratégia F é uma estratégia idade alvo, até os 49 anos a mulher submete-se a MD anual e dos 50 aos 69 anos realiza MF anual. No RM populacional de mulheres jovens (menor de 50 anos), esta é a estratégia mais custo-efetiva. A RCEI é de R$ 30.520, sendo considerado custo-efetiva para países emergentes como o Brasil. Na análise de sensibilidade, a RCEI varia de R$ 15.300 a R$ 257.899 em diferentes regiões. Essa ampla variação ocorre principalmente pela incidência do câncer de mama, distribuição etária da população e cobertura de mamografia conforme cada região. Na nossa analise, a MF a cada 2 anos para todas mulheres entre 40-49 anos pode ser considerada uma política de saúde pública muito custo-efetiva para ser incorporado no SUS. Levando em conta especificidades regionais, o RM idade alvo com MD é uma alternativa para melhorar o desfecho das mulheres jovens com câncer de mama.

Para visualizar e baixar a tese completa acesse:

SOUZA, Fabiano Hahn. Mamografia digital em comparação com mamografia convencional no rastreamento de câncer de mama no Brasil: revisão sistemática, custo da doença e analise de custo-efetividade no Sistema Único de Saúde. Porto Alegre, 2012. Tese (Doutorado em Epidemiologia) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.

Fonte: LUME – Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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Mamografia: Recursos materiais e técnicas emergentes

Mamografia - Recursos materiais e técnicas emergentesAutores: Jorge Frutuoso; Guida Neves; Cecília Afonso; Margarida Ourô; Luís Janeiro.

Neste artigo reúnem-se as principais linhas orientadoras e tendências em Mamografia, para uma escolha informada de equipamentos e recursos materiais na implementação de uma Unidade, cumprindo a legislação e normas de qualidade. Abordam-se as técnicas emergentes no estudo da mama.

Para visualizar e baixar o artigo completo acesse:

FRUTUOSO, Jorge. et. al. Mamografia: Recursos materiais e técnicas emergentes. Salutis Scientia, Lisboa, v. 1, n. 1, p. 32-45, jul. 2009.

Curvas de isodose no ar em uma sala de mamografia

imageAutoras: Maria Cecília Baptista Todeschini Adad; Gabriela Hoff; Elaine Evaní Streck; Rochele Lykawka.

OBJETIVO: O objetivo deste trabalho foi obter a distribuição da dose absorvida no ar numa sala de mamografia durante a simulação de um exame mamográfico, visando a reavaliar a necessidade do uso de barreiras de proteção radiológica nessas salas e a exposição das pacientes. MATERIAIS E MÉTODOS: Os dados da dose absorvida no ar foram coletados mediante simulação de exame mamográfico de um simulador de mama de BR12, em um equipamento Senograph 600T-Senix HF. Para tal, 158 pastilhas de CaSO4 foram distribuídas em malhas retangulares em torno do bucky, em três alturas distintas. RESULTADOS: O valor mais elevado da dose absorvida no ar, registrado no ponto central da superfície do simulador, centralizado no feixe primário, foi de 8,33 mGy, enquanto o menor valor registrado, devido exclusivamente ao espalhamento, foi de 0,008 mGy. CONCLUSÃO: Estes resultados indicam que o uso de blindagem adicional nas salas de mamografia pode não ser necessário na incidência crânio-caudal, desde que as distâncias consideradas neste trabalho sejam observadas. No entanto, eles enfatizam a necessidade de proteção da paciente.

Para visualizar e baixar o artigo completo acesse:

ADAD, Maria Cecília Baptista Todeschini. et. al. Curvas de isodose no ar em uma sala de mamografia. Radiologia Brasileira. São Paulo, v. 41, n. 4, p. 255-258, jul./ ago. 2008.

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